Aristides Meneses

Pinturas e Desenhos - Paintings and Drawings


1979

1984

1985

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020




Curriculum
Curriculum (English)
Influenciado por três continentes
Influenced by three continents
O Divino e o Homen
Divine and Man
Diogenes de Synope e todos os outros
Diogenes of Synope and all the others
Emoções simultâneas e contraditórias
Simultaneous and contraditory emotions
Espelhos futuros
Future mirrors
Aristides Meneses and the inner reflection



Foto: 2006 Rafael Ribeiro








Aristides Meneses nasceu em Moçambique em 1958 de ascendência goesa.

Estudo de Desenho e Pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa.

Publicações e Referências seleccionadas
Elisabete Lucas, "A pintura de Aristides Meneses", 2005, INSAT
Marisa Feio, "Latitudes", 2006, RTP
José Neto, "A arte e a mente de Aristides Meneses", 2009, Vídeo
José Neto, AM, Elisabete Lucas, "QUESTIONARTE", 2010, INSAT
Paulo Sérgio dos Santos, "A de Autor", 2010, RTP
Galeria ALIMA, "Aristides Meneses na FIARTE", 2011, Youtube
1452arte, "Leonardo", 2011 e 2012
Prospero International Art Book, 2012
International Contemporary Artists Vol VI, 2013
Artifices, 2013
Inspiration International Art Book Contemporary Masters Collection, 2017

Exposições Individuais seleccionadas
2004 "Visões" na Arte Galeria no Terreiro do Paço em Lisboa.
2005 "Espelhos Futuros" na Arte Galeria em Lisboa.
2005 "O Divino e o Homem" na Cripta da Igreja de Feijó, Almada.
2006 "Miralls futurs" na Galeria Zero em Barcelona Espanha
2006 "Há pessoas dentro das pessoas" no Museu da Casa de Goa em Lisboa com o patrocínio da Fundação Oriente.
2007 "Levitações e outras propensões" na galeria Kiekeben Art em Lisboa.
2007 "Reflexos de quem vê" no Museu da Tapeçaria de Portalegre Guy Fino em Portalegre.
2007 "Mente Hexagonal" na Galeria do Parque de Santa Marta, Ericeira
2010 "Oceano Índico" na Casa de Cultura D. Pedro V, Mafra

Exposições Colectivas seleccionadas
1980 a 1985 Diversas exposições do grupo Arte Universidade na região de Aveiro, como o Salão Nobre da Câmara Municipal de Aveiro ou o Museu Marítimo de Ílhavo.
2005 "Colectiva de Inverno" na Arte Galeria em Lisboa.
2006 "36º Salon Concurs de L´Académie Européenne des Arts" em Gembloux, Bélgica
2006 "Exposition Internationale", Paris
2007 "Colecção improvável" no Museu da Casa de Goa em Lisboa.
2007 "1ª Bienal da Lusofonia" no Centro Cultural da Malaposta
2007 "Inter Pares" no Museu da Casa de Goa em Lisboa.
2008 "Em nome da Criança" no Centro Cultural Casapiano em Lisboa.
2009 "2ª Bienal da Cultura Lusófona" no Centro Cultural da Malaposta.
2009 "Repensar Las meninas", Fórum Municipal Romeu Correia, Almada.
2009 "Um olhar português" em Helsínquia, Finlândia
2010 "Pensar com Tom Zé", Casa do Brasil Pedro Álvares Cabral, Santarém
2010 "Arte de mãos dadas com a Madeira", Galeria Mafalda D' Eça, Estoril
2010 "QUESTIONARTE", Novotel Lisboa
2011 "Utopia 2010" no Centro Cultural da Amadora
2011 "Arte Novotel Lisboa", Hotel Novotel, Lisboa
2011 Clube Literário do Porto, Porto
2011 "FIARTE 2011 Feira Internacional de Arte", Galeria Albuquerque & Lima, Coimbra
2011 "III Bienal da Cultura Lusófona", Centro de Exposições de Odivelas
e Centro Cultural da Malaposta
2011 "Salão Internacional de Arte de Sousel", Galeria Vieira Portuense, Sousel
2012 "Exposição Internacional de Arte 2012", Galeria Aberta, Estoril
2014 "Exposição Galeria AP", Galeria AP, Lisboa
2015 "Novotel 2015", Novotel Lisboa, Lisboa

Colecções privadas
Colecções particulares em Portugal, Moçambique, Brasil, Índia, Macedónia

Principais Acervos
Colecção Museu da Casa de Goa
Colecção Centro Cultural Casapiano
Colecção Câmara Municipal de Mafra
Colecção Casa do Brasil












Aristides Meneses was born in Mozambique in 1958 from Goan (India) parentage.

Painting studies at Sociedade Nacional de Belas Artes in Lisbon.


Main published and media references:
Elisabete Lucas, "The paintings of Aristides Meneses", 2005, INSAT
Marisa Feio, "Latitudes", 2006, RTP Portuguese National Television
José Neto, "Art and mind of Aristides Meneses", 2009, Video
José Neto, AM, Elisabete Lucas, "QUESTIONARTE", 2010, INSAT
Paulo Sérgio dos Santos, "A de Autor", 2010, RTP Portuguese National Television
Galeria ALIMA, "Aristides Meneses na FIARTE", 2011, Youtube
1452arte, "Leonardo", 2011 and 2012
Prospero International Art Book, 2012
International Contemporary Artists Vol VI, 2013
Artifices, 2013
Inspiration International Art Book Contemporary Masters Collection, 2017

Selected individual exhibitions
2004 "Visions" at Arte Galeria in Lisbon.
2005 "Future Mirrors" at Arte Galeria in Lisbon.
2005 "Divine and Man" at Feijó Church near Almada.
2006 "Miralls Futurs" at Galeria Zero, Barcelona, Spain
2006 "There is people inside people" at Casa de Goa Museum, in Lisbon, sponsored by Fundação Oriente.
2007 "Levitations and other propensions" at Kiekeben Art Galery in Lisbon.
2007 "Reflexos de quem vê" at Museu da Tapeçaria de Portalegre Guy Fino in Portalegre.
2007 "Mente Hexagonal" at Galeria do Parque de Santa Marta, Ericeira
2010 "Indic Ocean" at Casa de Cultura D. Pedro V, Mafra

Selected group exhibitions
1980 a 1985 A few exhibitions with the group Arte Universidade, including at the Noble Room at the City Hall and the Ilhavo Maritime Museum.
2005 "Group winter exhibition" at Arte Galeria in Lisbon.
2006 "36º Salon Concurs de L´Académie Européenne des Arts" at Gembloux, Bélgica
2006 "Exposition Internationale", Paris
2007 "Unprobable collection" at Casa de Goa Museum in Lisbon.
2007 "1ª Bienal da Lusofonia" at Malaposta Cultural Center.
2007 "Inter Pares" at Casa de Goa Museum in Lisbon.
2008 "In the name of children" at Centro Cultural Casapiano in Lisbon.
2009 "2ª Bienal of Lusofonia" at Malaposta Cultural Center.
2009 "Rethinking Las meninas" at Forum Municipal Romeu Correia, Almada.
2009 "A portuguese look", Helsinquia, Finland.
2010 "Pensar com Tom Zé", Casa do Brasil Pedro Álvares Cabral, Santarém
2010 "Arte de mãos dadas com a Madeira", Galeria Mafalda D' Eça, Estoril
2010 "QUESTIONARTE", Novotel Lisboa
2011 "Utopia 2010" no Centro Cultural da Amadora
2011 "Arte Novotel Lisboa", Hotel Novotel, Lisboa
2011 Clube Literário do Porto, Porto
2011 "FIARTE 2011 Feira Internacional de Arte", Galeria Albuquerque e Lima, Coimbra
2011 "III Bienal da Cultura Lusófona", Centro de Exposições de Odivelas
e Centro Cultural da Malaposta
2011 "Salão Internacional de Arte de Sousel", Galeria Vieira Portuense, Sousel
2012 "Exposição Internacional de Arte 2012", Galeria Aberta, Estoril
2014 "Exposição Galeria AP", Galeria AP, Lisboa
2015 "Novotel 2015", Novotel Lisboa, Lisboa

Private collections
Private collections in Portugal, Mozambique, Brazil, India, Macedonia

Main public collections
Collection Museu da Casa de Goa
Collection Centro Cultural Casapiano
Collection Câmara Municipal de Mafra
Collection Casa do Brasil







Influenciado por três continentes

Por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005

Nascido em 1958 em Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique, na costa oriental de África, Aristides Meneses faz parte de uma família que nos últimos cem anos habitou em três continentes. Os seus avós, de origem goesa, partiram da Índia para aquele país, então uma colónia portuguesa, e aí se fixaram. Foi já nessa região que nasceram os seus pais, em Lourenço Marques, o pai e em Inhanbane, a mãe. Aí permaneceram até se mudarem para Portugal, onde residem. Devido a essa confluência, Aristides Meneses foi influenciado por três culturas, desde a asiática, por via dos ascendentes, à europeia, pela língua, história e ambiente político, passando pela africana, pelo nascimento e vivência até aos dezasseis anos. De forma discreta e suave toda a sua arte reflecte essa multiplicidade de influências culturais e, apesar da forte predominância europeia, podem encontrar-se referências mais ou menos explícitas às outras duas culturas em diversos dos seus trabalhos.

Foi em Moçambique que começou a pintar, muito embora na altura o fizesse como qualquer outra criança que gostava de desenhar e colorir imagens no papel, fossem reais ou inventadas. Fossem a lápis de cor ou aguarelas. Mas, ao invés de outras crianças, a pintura despertava-lhe forte interesse e constituía uma actividade com importância crescente. Aqueles anos em que residiu em África marcaram, sem dúvida, a forma de olhar o mundo e de estar na vida.

Os grandes espaços, o imenso tempo que permitia quase tudo fazer, a praia até já não haver luz, os passeios de quilómetros por estradas ladeadas de árvores, as conversas e as festas nas ruas, são apenas alguns exemplos do que ficou na memória e que, inegavelmente, os seus quadros reflectem, mesmo que resultem em parte da manifestação do subconsciente. A abertura da mente associa-se a uma atitude também ela aberta, sem medo de se deixar mostrar, a ponto de surpreender alguns dos observadores mais críticos, por se permitir expôr nas telas de forma por vezes tão intensa como em “Auto-retrato com cem anos” (1983), provavelmente um dos mais interessantes quadros do pintor. Literalmente pintado em frente a um espelho, para reflectir as dimensões e a estrutura real, resultou de um exercício tanto de inversão de imagens como de introspecção, que trouxeram para a tela um retrato forte e tocante. E, como muitas outras das suas obras, parece chamar o observador para dentro do próprio tecido, como se fosse ele próprio a estar ali retratado, despojado e isolado, mas com uma enorme força interior. Por isso, ao invés de ser um quadro assustador, porque de facto cria ansiedade imaginar a própria vida ao fim de um século, é tranquilizante. Afinal é apenas uma fase, marcada pelo conhecimento de si mesmo!

Da pintura realizada em África, de orientação realista e paisagista, apenas sobreviveu um pequeno trabalho, “Oásis”, executado em pastel sobre papel por volta de 1971. As caravelas dos Descobrimentos Portugueses, o mar e as paisagens africanas foram alguns dos temas explorados, durante a infância e juventude, com que participou em alguns concursos de pintura e desenho. Durante os últimos anos de permanência na então cidade de Lourenço Marques dedicou-se especialmente à técnica de tinta da china pintada e soprada sobre papel. Também dessa época nada sobreviveu devido à mudança de continente, em condições adversas para a família.

Em 1975 Aristides Meneses veio viver para Lisboa na sequência das alterações políticas ocorridas quer em Portugal quer em Moçambique. Até perto do final da década de oitenta continuou os seus trabalhos a tinta da china, alguns dos quais, embora desaparecidos ou destruidos, encontram-se reproduzidos no jornal de estudantes da universidade, em que colaborou.

Em 1977 ingressou na Universidade de Aveiro. E foi quando aí frequentava a licenciatura em Engenharia de Electrónica e Telecomunicações que a pintura assumiu um espaço mais sério e prioritário. Nessa época concretizou a sua primeira experiência com a técnica de óleo sobre tela, com “Criança sem culpa admirando o túmulo do mundo morto”, datado de 1979. Este quadro mostra já algumas das principais características de toda a sua obra posterior: ambiguidade, angústia, divino, conhecimento, emoções desencontradas e simultâneas, o mundo entre a vida e a morte. Aristides Meneses traz para a tela as suas preocupações e inquietações interiores, mas fá-lo de uma forma aberta, pois ao observador é constantemente deixado espaço para incluir, no quadro, as suas próprias inquietações e registar as suas análises, construindo uma história individualizada, a partir de imagens que, sendo quase imutáveis, ganham nova vida e diferente forma a cada olhar.

Foi também em 1979 que criou, com outros estudantes, o grupo Arte Universidade e, com ele, participou na sua primeira exposição. Essa mostra originou de imediato uma grande diversidade de interpretações e emoções nos espectadores, efeitos que ainda hoje são habituais, provavelmente devido à aparente simplicidade da maior parte dos seus trabalhos que, no entanto, se revelam mais complexos e emotivos à medida que o observador os aprofunda. Mais de vinte anos depois, Aristides Meneses explicou, quando da abertura da sua exposição “Espelhos Futuros” em 2005, em Lisboa, a influência da estrutura emocional e do estado de espírito do observador na apreciação dos seus quadros, afirmando que ao mesmo tempo que expõe os seus trabalhos, os visitantes se expõem a eles, numa interacção gerada pelas emoções.

Apaixonado pela matemática e pela física, disciplinas em que se tornou um dos melhores alunos do seu curso, aplicou à pintura, em parte subconscientemente, alguns dos conceitos mais perturbadores da física de então, citando especialmente a Teoria da Relatividade de Einstein, o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a Equação de Schrödinger, não tanto pela explicitação dos conceitos físicos associados mas sim pelas suas consequências ao nível da mente e das emoções humanas, como está patente no quadro “Multiplicação da personalidade provocada pelo aparecimento de um peixe encarnado”, executado em 1984. O quadro, baseado num edifício de uma gravura de M. C. Escher, convida o observador a olhar de todos os ângulos, sem que transporte em si qualquer obrigatoriedade de análise preferencial ou lógica. E, como em muitos outros casos, as sensações que desperta são tão diversas quantos os olhares dos espectadores que o vêm e quantos os momentos em que é olhado. Porque se os seus quadros, enquanto objectos, são estáticos, enquanto expressão artística estão longe de o ser. São, pelo contrário, tão dinâmicos quanto os olhares, os pontos de análise, a luminosidade ou a emotividade do próprio espectador o permitam. O cenário está lá, parte de uma ideia do pintor, mas rapidamente é o observador que toma posse da história e a transforma à sua medida.

Tendo iniciado na Universidade uma aproximação mais profunda à pintura, a partir dessa altura começou também um percurso de aprendizagem técnica, que o levou a frequentar um atelier experimental na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, nos anos de 1984 e 1985. Mesmo que afirme que em momento algum tenha pensado numa tela como um objecto em branco, porque quando inicia a primeira pincelada tem sempre a imagem já pintada na sua mente, o desenvolvimento da capacidade técnica permite melhorar a aproximação da imagem mental ao resultado final. Aristides Meneses defende que o acaso tem um enorme papel no seu trabalho, citando o Princípio da Incerteza de Heisenberg como a sua explicação. Especifica que são os efeitos quânticos na imagem produzida pelo subconsciente, resultado ela própria da transformação da totalidade das influências a que está sujeito, no sentido cósmico de interligação permanente do Homem com todo o Universo, que fazem com que o quadro ganhe uma vida ou vontade própria, à medida que vai sendo criado. Assim, ao mesmo tempo que a imagem inicial se vai esbatendo e dissolvendo, desintegrando-se em anti-fotões, os personagens executados sugerem olhares e sorrisos, os lugares apontam cores, os ambientes indicam a ordem do espaço, levando o quadro para caminhos imprevistos. E o pintor, que se mantém livre, deixa-se levar geralmente pela sua própria obra, integrando-se nela, mesmo que fisicamente tudo indique que permanece a olhá-la de frente, com uma imensa capacidade decisória sobre tudo o que acontece naquele espaço montado no cavalete.

Naturalmente fascinado pela pintura, visita inúmeros museus e exposições, em Portugal e no estrangeiro, alimentando essa necessidade de evolução e aprendizagem permanente que caracterizam em si, mais do que a resposta ao desafio de pintar, um modo de vida. Uma das causas prováveis do seu interesse pela técnica de óleo sobre tela foi a viagem pelo Sul da Europa em 1978, especialmente por Itália, onde descobriu directamente os pintores, arquitectos e escultores renascentistas e também alguma arte da antiguidade. Aristides Meneses afirma ser influenciado pelo cosmos e por todos os outros artistas.

Devido à temática explicitamente figurativa e aparentemente realista, embora onírica, dos seus quadros, o pintor é frequentemente confrontado com a necessidade de compreensão racional por parte dos espectadores. Mas, para Aristides Meneses, mais do que para serem vistos, os seus quadros devem ser sentidos, porque todo o seu trabalho se situa no mundo das emoções humanas, complexas, contraditórias, simultâneas e, geralmente, mais fortes que os próprios indivíduos.

Sublinhando que o seu trabalho resulta de imagens de origem subconsciente, num processo de transformação e destilação de tudo com que se relaciona, confessa que se revelam ao consciente de forma inesperada e volátil. Na maior parte das vezes desconhece a origem das suas imagens. Outras sabe, na perfeição, o que as levou a materializar-se, como aconteceu com uma folha de figueira, transportada pela brisa, numa manhã de final de Verão, para o chão da varanda, onde o sol a secava mudando-lhe rapidamente a forma e a cor. E assim surgiu a obra “Mutação de um dinossauro ao sol da manhã”, executada em 2003. Antes mesmo de o quadro ter sido terminado, poucas horas depois, a folha estava praticamente extinta, mas o dinossauro sobreviveu!

Por vezes é a natureza a fonte da materialização das suas imagens, como se verifica pelos vários trabalhos realizados a partir da observação de praias, desertos, árvores ou rochas espalhadas na areia, a quem é dada uma outra vida nos quadros, ao serem transformados em personagens, que voltam a conquistar novas vidas a partir dos observadores. A ilustrá-lo está, por exemplo, um quadro executado também no final do Verão de 2003, cujo título é da autoria do filho do pintor, na altura com seis anos, que ao vê-lo declarou: “O pai e a mãe zangados na praia”. A criança não viu objectos inanimados, viu pessoas conhecidas. E é esse efeito emocional multiplicativo e diversificado que melhor tem caracterizado a obra pintada de Aristides Meneses.



Influenced by three continents

By Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005

Born in 1958 in Lourenço Marques, nowadays called Maputo, in Mozambique, located in the east coast of Africa, Aristides Meneses descended from a family that in the last hundred years has lived in three continents. His grandparents, who where from Goa, in Asia, left India to that country, which at that time was a Portuguese colony, and settled there. Both his parents where born in Africa, in Lourenço Marques, the father and in Inhanbane, the mother. They lived there until they had to move to Portugal where they now live. Due to that confluence, Aristides Meneses has been influenced by three cultures, from the Asian, due to his ascendants, to the European, through language, history and political environment, including the African, because he lived there until he was sixteen. In a discreet and subtle way, all his work reflects that multiplicity of influences and, although the European culture is dominant, one can find more or less explicit references to the others in a large number of his works.

He started to paint in Mozambique, doing so as any child who liked to draw and paint images on paper, real or imaginary, working with colour pencils, watercolors, pastel and other techniques. But unlike other children, painting interested him dearly, and started to grow in importance. Without doubt those years in Africa had an enormous influence on him.

The large open spaces, the time that seemed to allow almost anything, the beach until darkness, long roads lined with trees, the conversations and parties in the open space are just a few examples of fond memories reflected in his paintings, even if they are the end result of a subconscious process. The openness of the mind appears associated to an open attitude, fearless of showing to a point that surprises some of the most critical minds, because the painter allows to expose himself on canvas in a very intense way, as in “Self portrait at one hundred years” (1983), arguably one of his most interesting paintings. Literally painted in front of a mirror, it was the result both of an image inversion exercise and of an introspective analysis, which brought to the canvas a strong and moving portrait. And, as in many of his works, it seems to draw the observer to the inside, as if it was their own portrait, dispossessed and alone, but with much inner strength. And so, instead of being a frightening painting, because it must be frightening to imagine oneself with a hundred years old, it is in fact soothing. At the end it is no more that a phase characterized by one knowledge.

Of the work completed in Africa, with an orientation to the realistic and naturalistic, only one small painting survived, “Oasis”, executed with pastel on paper by 1971. The caravels of the Portuguese Discoveries, the sea and the African landscapes, all were themes of his work during his youth, with which he entered some painting exhibitions. During the last years he lived in Mozambique he started to use indian ink painted and blown on paper. Those works are all lost now, due to the migration to another continent, in adverse conditions for the family.

In 1975 Aristides Meneses came to live in Lisbon, because of the new political situation both in Portugal and Mozambique. Until the end of the 80s, he kept working with indian ink. Some of these works, although lost, have been reproduced in a student newspaper to which he was a regular contributor.

In 1977 he went to the University of Aveiro. It was there that, as a student of Electronics and Telecommunications Engineering, painting assumed a much more important role in his life. At that time he started to make some experiences with oil on canvas, with “Blameless child looking at the tomb of the dead world”, dated 1979. This painting already shows some of the main characteristics of all his following work: ambiguity, angst, divine, knowledge, the flow of contradictory and simultaneous emotions, the world between life and death.

Aristides Meneses brings to the canvas his inner toughts and inquietudes, but he does that in an open way, always leaving some space for the observers to be reflected in the paintings with their own emotions, preoccupations and analysis, building personalized stories from images that, being almost immutable, start a new life and get a different form each time one looks at them.

It was also in 1979 that, along with other fellow students, he created the Arte Universidade group, and with it he started exhibiting his work. His paintings created an immediate diversity of emotions and interpretations, effects that remain up to today with each new work, probably due to the apparent simplicity of most of them which, however, reveal a strong complexity and emotional impact at each new glance. More than twenty years later, during his individual exhibition “Future Mirrors” in 2005, in Lisbon, he explained the influence the emotional structure and mind state of the observer have in the appreciation of his paintings, saying that each time he exposes a painting, the observer himself is exposed to it, in an interaction generated by emotions.

Very fond of mathematics and physics, subjects in which he became one of the best students of his class, he applied, in part subconsciously, some of the more chatering concepts of physics discoveries at that time, especially focusing on Einstein´s Relativity Theory, Heisenberg´s Uncertainty Principle and Schrödinger´s Equation, not so much by its physics explanations properties but by the associations he did with the human mind and emotions, as shown in his work “Personality multiplication provoked by the appearance of a red fish”, painted in 1984. The painting, based on a building in an engraving by M. C. Escher, invites the observer to look from every point of view without forcing any predefined logic or analysis. And, as in many other cases, the sensations it unveils are so diverse as diverse are the observers or the times they choose to look. Because if the paintings, as objects, are static, as artistic expressions they are not. On the contrary, they are as dynamic as the emotions each observer experiences. The image is there, but very quickly each observer conquers domain over the story and transforms it as he wants.

Having iniciated a more profound relationship with painting at the university, he started a path of technical learning which led him to experimental painting lessons at Sociedade Nacional de Belas Artes in Lisbon, during 1984 and 1985. Although he says he never looked at a blank canvas, because he starts working on a painting with brushes and paint only when he already has the full image in his mind, the development of his technical skill was very important to the continuous improvement of his work. Aristides Meneses insists that chance has an enormous role in his work, citing Heisenberg´s Uncertainty Principle as the explanation for it. He says that the quantum effects that influence the image produced in the subconscious, result itself of the transformation of the total sum of influences the artist has felt, in the cosmic sense that links man to the universe and everything else, are what enables the same image to gain a life and a will of its own while being created. In this sense, at the moment the original mental image starts disintegrating in anti-photons, the personages of the paintings are able to suggest looks and smiles, places suggest colours and environment determine the order, carrying the work through unforeseen paths. And the painter, keeping his freedom, allows himself to be carried away by his work, even if it seems he keeps control of it all the time, really choosing what happens on the canvas.

Fascinated by paintings, he visits innumerous museums and art galleries in Portugal and abroad, feeding the necessity of evolution and knowledge, which characterize him and are a way of life more than an answer to the challenges of painting. One probable cause of his renewed interest in oil painting techniques was his trip through the south of Europe in 1978, especially Italy, where he was face to face with sculptures, paintings and buildings of the renascence and some antique art. He says the cosmos influence his works as well as every other artist.

Due to his figurative and apparently realistic themes, although dreamlike motives and images, the painter is often confronted by his observers with the need to understand and to find a logic explanation. But, to Aristides Meneses it is more important for his work to be felt than seen, because all of it revolves around human emotions, complex, simultaneous and usually stronger than man himself.

Stressing that his work is a result of subconscious images, in a transformation and distillation process of everything with which he interacts, the painter admits that they reveal themselves to the conscious in an unexpected and volatile way. For the most part, he does not know the source of his images. But sometimes the source is well identified, like the leaf of a fig tree, transported by a gentle breeze in the morning to the floor of his porch, at the end of the summer 2003, while the heat from the sun dried and changed it. And that was the origin of “Dinosaur mutation in the morning sun”. Even before the painting was finished, a few hours later, the leaf was almost extinct, but the dinosaur survived, he says.

Often nature is the driving inspiration force behind the materialization of his images, as can be attested by his numerous works with beaches, trees, rocks or deserts, which he transforms into personages for his paintings, and which gain new lives from each glance by the observers. One characteristic example is a painting made the same summer, in 2003, whose title came from his six years old son, who exclaimed: “It is father and mother angry at the beach”. The child did not see inanimate objects, he saw living beings. And it is that emotional effect, multiplicative and diversified, that best characterize the painted work of Aristides Meneses.




O Divino e o Homem

Entrevista por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005

Tem afirmado que os seus quadros têm muito de casual. Começa com a tela em branco?
Há algum tempo perguntaram-me o que sentia quando olhava para uma tela em branco. Foi uma pergunta interessante porque eu nunca tinha olhado para uma tela em branco e ainda não olhei. A maior parte do meu trabalho ocorre na mente e apenas em parte se trata de realmente pintar, no sentido de espalhar tinta sobre a tela. Assim, apenas começo a pintar quando me surge uma imagem que considero valer a pena tentar trabalhar. São imagens geralmente muito bem definidas, com todos os detalhes.

Nesse caso, qual o espaço do acaso ou da incerteza?
Começo sempre com uma imagem bem definida, ou pelo menos a parte fulcral da imagem bem definida. Mas ao longo do trabalho acontecem sempre duas coisas. Por um lado, a imagem mental vai-se esbatendo, pelo que o resultado final nunca é a imagem inicial. Por outro, o quadro ganha vida própria e força as cores, as texturas e, por vezes, toda a imagem, para onde tem maior propensão. Assim, embora apenas comece quando tenho uma imagem definida, o resultado é incerto e depende de forças quânticas muito fortes a que não consigo resistir.

Faz desenhos preparatórios para fixar a imagem?
Por vezes, não muitas vezes. Porque a imagem tem uma grande propensão para se dissolver rapidamente, os trabalhos preliminares não evitam a incerteza. Penso que nem a atenuam, apenas podem levar o trabalho para outro caminho.

Então as imagens são totalmente inspiradas?
A maior parte delas surgem como visões, como uma ideia repentina, totalmente formada, em cores e detalhes, sem aparente razão. Outras vezes surgem porque algo externo as provoca, por associação mais consciente. Mas nem sempre são completas. Por vezes a imagem inicial é parcial, com uma parte muito difusa e mais difícil de fixar. De qualquer forma são resultado do trabalho mental de pintar.

Sonha essas imagens?
Não. Que me lembre só sonhei duas imagens, uma das quais transportei para a tela. Geralmente são sonhos acordados, que tendem a dissolver-se rapidamente e se tornam muito difusos, mas só desaparecem totalmente quando são pintados.

Assim o resultado final nunca pode ser o que espera.
É verdade. Por vezes é deprimente e por vezes é impossível. Mas trabalho para aquelas muito raras vezes em que o resultado supera a imagem inicial.



Divine and Man

Interview by Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005

You say that your paintings are a lot influenced by chance. Do you start with a blank canvas?
Some time ago someone asked me what I feel while looking at a blank canvas. It was an interesting question because I had never looked at a blank canvas. For the most part, my work really happens in the mind, and just a smaller part consists of applying paint or working with brushes. I only start painting, with a brush in my hand, when I already have an image which I think may be worth it. These images are usually well defined, with details and colors.

If so, what is the role of chance?
I always start with a well defined and complete image or, at least, a well defined central theme. But then, two things always happen. Very soon the mental image starts to dissolve, which leads to the fact that the end result is never what it was supposed to be in the beginning. On the other hand, the image, the painting, conquers a life of its own which forces the colours, the textures and sometimes the whole image. So, although I always start with a defined image, the result is very uncertain and depends on quantum forces to which I have never been able to resist.

Do you make preliminary drawings in order to obtain a more permanent image?
Sometimes I do, but not often. Because this quantum effect also exists during preliminary work and the image has a strong propensity to dissolve. That would not eliminate the uncertainty. It would just force the work in other directions.

In that case your images are totally the result of inspiration?
They usually appear like visions, like a good idea that seems to appear from nowhere, completely formed in colours and details, without apparent reasons. Other times they come because an external event conjures them. And they are not always complete. From time to time I only have part of the image, and the rest is very diffuse, difficult to get. Anyway, they are the result of a lot of mental painting work.

Do you dream your images?
No. As far as I know, it only happened twice, and I only used one of them. Usually they are more like awake dreams, images that dissolve themselves very quickly, but only disappear from my conscious mind when I paint them.

And so the end result is never what you expect.
That’s true. Sometimes it is very depressing and other times it is impossible. But I work for those rare times when the result is better than the original image.



Diogenes de Synope e todos os outros

Por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005

Diogenes de Sinope foi um filósofo que os historiadores supõem ter nascido cerca de 400 anos antes de Cristo. Existindo muito poucos registos históricos sobre a sua vida, a sua história é composta de episódios avulso que contribuem para a imagem de excêntrico e marginal, de quem vivia à parte por escolha própria. Considerado a maior voz da escola cínica, com uma visão da vida que se opunha às convenções e regras sociais que considerava hipócritas e rejeitando os bens materiais que considerava não só desnecessários como mesmo perniciosos, diz-se que habitou num barril, durante o período que permaneceu em Atenas. Uma das suas actividades parece ter sido andar pela rua com uma lanterna acesa, em pleno dia, sempre à procura de um homem honesto. Morreu sem o encontrar. Considerado iludido, sábio, louco ou sátiro, é assim que surge frequentemente na pintura de Aristides Meneses.

Embora afirme que a sua pintura resulta de imagens do subconsciente, Aristides Meneses criou um mundo imaginário habitado por personagens, alguns dos quais permanentes, sugerindo uma linha condutora. Trata-se assim de um mundo real-imaginário, a que o pintor chamou Arisia, logo em 1979, quando da sua primeira exposição. O facto é que os personagens colaboram com o espectador na elaboração do enredo e são veículo da cumplicidade emocional gerada ou alterada pelos quadros. E interagem uns com os outros num mundo realmente habitado por todos.

Diogenes surge com muita frequência em 1984. Por exemplo, “Diogenes no deserto com os seus fantasmas” é um trabalho em que o filósofo aparece como figura focal, sem a sua mítica lanterna mas sim com um cajado, curvado sob o peso das suas emoções, rodeado por três gigantes, irreais, provavelmente os fantasmas a que se refere o título.

Mais uma vez aparece solitário em “Diogenes no deserto”, ou em desespero como em “Diogenes à chuva” e “Diogenes quase a desistir”. Reaparece em 2003 no quadro “A nau” agora com a sua lanterna acesa em pleno dia. Este trabalho, que prende o olhar, mostra três personagens aparentemente auto-iludidos sobre a realidade. Além de Diogenes, de luz acesa durante o dia, a imagem inclui o barqueiro que rema em terra e a jovem que passeia num barco parado. Em 2004 Diogenes surge em “Luta interior”, um quadro que regista o conflito de duas emoções simultâneas, tema querido ao pintor, em luta pelo domínio da mente humana. Surge também, agora como observador e em posição marginal, em “Ajuda-me pai” (2004).

Diogenes foi inspirado numa figura real mas outros personagens parecem ser mais imaginários. Os cabeças de ovo, personagens claramente antropomórficos com a cabeça em forma de casca de ovo, geralmente quebrada e vazia, sempre com um machado ou lança na mão, surgiram pela primeira vez em 1980 em “Primeira aparição do cabeça de ovo ainda disfarçado”. E estão presentes em “Invenção da vida” (1983), “Diogenes no deserto com os seus fantasmas” (1984) ou “Multiplicação da personalidade provocada pelo aparecimento de um peixe encarnado” (1984). Curiosamente os cabeça de ovo de Aristides Meneses nunca estão a fazer nada, parecendo apenas testemunhas passivas de todas as cenas.

A folha em decomposição, que surge por exemplo em “Um anjo acaba de morrer” (1981), “Multiplicação da personalidade provocada pelo aparecimento de um peixe encarnado” (1984) e se torna monumental em “Gabriel logo após a mensagem” (2004), é uma folha real que o pintor encontrou, assim como a pinta, e que conservou por muitos anos. Outras figuras que decorrem do real são os personagens esguios que aparecem no primeiro quadro, “Criança sem culpa admirando o túmulo do mundo morto” (1979), que constituem uma reprodução de três esculturas em madeira executadas por si e inspiradas nas esculturas etruscas que vira nas suas viagens do ano anterior. Também as rochas, geralmente elementos da paisagem, se tornam dotadas de emoções como em “Rocha perfeitamente normal com um profundo desgosto” (1984) ou “Rocha a ganhar vida na praia encantada” (1983). Esta última é uma rocha real da praia de Porto Covo, onde o pintor tem ido inúmeras vezes ao longo dos anos.

De realçar ainda os personagens que parecem ter levado mais de vinte anos a ganhar identidade própria, impossíveis de definir mas claramente antropomórficos. Trata-se de seres geralmente monocromáticos, altamente texturados em penas ou pelagem, quase sempre sem face e raramente com olhos. Surgem como personagens secundários em “Primeira aparição do cabeça de ovo ainda disfarçado” (1980) mas em 2003, com “A família original”, assumem o controlo do espaço e das imagens. Podem ser vistos particularmente expressivos em “E depois foi-se embora” (2003), “A morte Prematura” (2004) ou “Casal improvável” (2005).

Muito recentes são as famílias de pedras planas, cristalinas, que começam por aparecer em “O pai e a mãe zangados na praia” (2003) e depois se multiplicam em “Levitação original” (2004) ou “Aprendendo a levitar” (2005).

E, embora um dos primeiros anjos de Aristides Meneses tenha morrido em 1981 em “Um anjo acaba de morrer”, os anjos da guarda surgem novamente como mensageiros ou protectores em diversas obras recentes. Aristides Meneses explica que os anjos se materializam numa explosão de fotões e se desintegram numa explosão de anti fotões, mas que continuam a existir para todos os outros personagens da sua obra.



Diogenes of Synope and all the others

By Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005

Diogenes of Sinope was a philosopher who historians believe was born 400 years before Christ. With very few written records about him or his life, his history is composed of scattered episodes, which contributes to his image of an eccentric and outsider, living apart from society by his own choice. Seen as the main voice of the cynic school, with a style of life that showed a dislike for social life and rules, considered hypocrites, and rejecting material possessions as unnecessary and even pernicious, it is said he lived in a barrel while in Athens. One of his preferred activities was to walk along the streets with his lamp alight, during daylight, looking for an honest man. He died without finding one. Seen as delusional, sage, insane or satiric, that is the way he often appears in Aristides Meneses painted works.

Although he says his work is a result of images from the subconscious, Aristides Meneses created an imaginary world inhabited with personages, some as permanent residents, suggesting a continuity. It´s a kind of real-imaginary world, called Arisia by the painter, since 1979, when he first exhibited his work. The fact is the personages collaborate with the observer in the plot elaboration and are vehicle of emotional complicity generated or altered by the paintings. And they interact with each other in a world really inhabited by all of them.

Diogenes appears very often in 1984, for instance in “Diogenes in the desert with his ghosts”, a painting in which the philosopher is the main point of interest, without his mystical lamp, but with a stick, curved under the weight of his own emotions, surrounded by three unreal giants, probably the ghosts the title refers to. He appears again alone in “Diogenes in the desert” or in despair as in “Diogenes in the rain” and “Diogenes almost quitting”. He reappears in 2003 in the painting “The vessel” now with his lamp alight in broad daylight. This work, which attracts the attention, shows three personages seemingly delusional about reality. Apart from Diogenes, with the lamp alight during daylight, the image includes the boatman paddling in dry land and the young lady who travels in a non moving boat. In 2004 Diogenes appears in “Inner struggle”, a painting that registers the conflict between two simultaneous emotions, a subject very important to the painter, fighting for control of the human mind. He also appears, now as a marginal observer, in “Help me father” (2004).

Diogenes was inspired in a real person but other personages seem to be mainly created by his imagination. The Egg-head, clearly an anthropomorphic personage, with the head shaped as an empty cracked egg shell, always with an ax in his hands, appears for the first time in 1980, in “First apparition of the egg head still under disguise”. And they are present in “The invention of life” (1983) “Diogenes in the desert with his ghosts” (1984) or “Multiplication of personality provoked by the appearance of a red fish” (1984). Aristides Meneses egg heads are deprived of action, seeming just to be passive witnesses of all scenes.

The decomposing leaf which appeared, for instance, in “An angel just died” (1981), “Multiplication of personality provoked by the appearance of a red fish” (1984) and became monumental in “Gabriel soon after the message” (2004) was a real leaf that the artist found, has reproduced, and kept for many years. Other figures that come from the real world are the slender personages that appear since the first painting in 1979, as result of three wood sculptures the artist made himself, inspired in Etruscan sculptures he saw during his trips the previous year. On the other hand the rocks, usually elements of the scenery, sometimes appear as leading personages provided with emotions as in “Absolutely average rock with a deep sorrow” (1984) or in “Rock becoming alive on the enchanted beach” (1983), this one a real rock from the Porto Covo beach, often visited by the painter for many years.

One must sterss also the personages that seem to have taken more than twenty years to develop, impossible to define but clearly anthropomorphic. They are beings usually monochromatic, highly textured in plumes or pelage, almost always faceless and very seldom with eyes. They appear as secondary personages in “First apparition of the egg head still under disguise”(1980) but it is in 2003, in “The original family”, that they assume control of the whole space and get the leading role. They can be seen in “And then he went away” (2003), “Premature death” (2004) or “Improbable couple” (2005).

More recent are the families of straight stones, crystalline, which appear in “Father and mother angry on the beach” (2003) and then multiply in “Original levitation” (2004) or “Learning how to levitate” (2005).

And, although one of the first angels of Aristides Meneses died in 1981 in “An angel just died”, the guardian angels appear again as messengers or protectors in a number of his more recent paintings. Aristides Meneses explains that angels materialize themselves in a explosion of photons and disintegrate in a explosion of anti photons, but they keep their existence for all the other personages in his work.



Emoções simultâneas e contraditórias

Por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005

Em termos temáticos a pintura de Aristides Meneses tem-se mantido muito coerente mesmo que cada trabalho ou imagem surja muito distinta e com uma forte personalidade específica. O Homem, considerado aqui enquanto Humanidade emocional em sentido amplo, com todas as suas manifestações, acaba por ser, no essencial, a temática central da maioria das suas obras. Pode ser o Homem-e-a-transformação-do-mundo, assistindo a eventos que eventualmente não compreende ou assumindo a culpa e a responsabilidade pelos seus actos, como em “A árvore de sangue” (1979). Pode ser o Homem-e-os-seus-próprios-medos, como em “Prisioneiros” (1982), em “Prisão imaginária” (1983) ou em “O covil” (2004), com uma alusão à necessidade de nos protegermos para que os outros não nos descubram tal como somos, à necessidade de manter espaços reservados, íntimos, longe do conhecimento exterior ou ainda à dificuldade de viver com a liberdade que nos torna responsáveis por nós mesmos. Ou pode ser o Homem-igual-a-si-mesmo, no quotidiano, ilustrado em “Passeio na praia” (1995) e em “Esperando à janela” (1984), ambos com uma forte carga emotiva que transcende o acontecimento.

Mas também pode ser o Homem-e-a-sua-relação-com-o-Divino, um tema que Aristides Meneses tem explorado de forma recorrente. Em todo o seu trabalho, o divino é sempre tratado como algo interior à mente humana. Os quadros “narram” formas de encarar o espiritual ou a busca de explicações para o mundo que vão para além da ciência, da lógica racional ou da religião. O quadro “Ajuda-me pai” (2004), um dos trabalhos com maior espiritualidade do pintor, uma obra influenciada por “Cristo carregando a cruz” de Bosch, está, em termos concretos, despojada do conteúdo religioso, sendo a actividade humana substituída pela emotividade humana. É, no entanto, impossível não a remeter, involuntariamente, para o imaginário cristão, tornando-se assim um trabalho duplamente perturbador.

Em “Gabriel logo após a mensagem” (2004) Aristides Meneses faz uma alusão directa à Biblia, remetendo o espectador para a anunciação do anjo, assim como em “O fim prematuro” (2004), claramente uma Pietá. A vida e a morte, na sua relação com o divino surgem com frequência, como em “Renascimento” (1984), “Morte e Transfiguração” (1984) ou “Nascimento de um estranho ser” (1981). No entanto, é provavelmente mais significativa a temática de “entre a vida e a morte”, como em “Criança sem culpa admirando o túmulo do mundo morto” e “A árvore de sangue” ambos de 1979 ou, de uma forma mais subtil, “A jangada” (2003).

Ainda no âmbito do divino, Aristides Meneses sente também influência do Hinduismo, trabalhando frequentemente a meditação, a levitação ou a reencarnação. Em “Levitação provocada por profunda meditação”, executado em 2003, surge uma referência mais explícita, com o personagem central a levitar, o Linga, símbolo de Shiva.

Também o Homem-conquistador, capaz de enfrentar o exterior ou simplesmente as suas frustrações pessoais, prende a atenção do pintor em várias das suas obras. Uma das mais emblemáticas, pela dualidade de registo que introduz, é “Guerra e Paz” (2004). A dualidade é explorada a vários níveis. Dividindo o quadro mais ou menos a meio, do lado direito o observador é confrontado com uma cena de violência, com um ser que se prepara para atacar e do lado esquerdo com um cenário pacificador, de alguém que calmamente observa o lago. O equilíbrio é decidido pelos olhos de cada um.
O homem-que-procura também lhe merece a atenção em diversos trabalhos, numa clara alusão ao inconformismo humano e à necessidade de saber, de observar e ainda de escapar. A este nível, uma das suas obras mais marcantes é “À procura das crianças” (2004), claramente um trabalho para ser sentido, ou “A nau” (2003) que mostra personagens em busca de algo que, ao que tudo indica, não se encontra naquele lugar. O quadro evidencia a bem conhecida sensação humana de estar num mundo que não é o desejado ou, de forma mais prosaica, de estar no sítio errado. No âmbito das primeiras pinturas, uma das obras que melhor ilustra a procura, neste caso de conhecimento, é “Filósofo às escuras” que, num jogo irónico de luz e escuridão, faz o contraponto entre a procura de explicações para o eu e para o mundo exterior e a escolha do filósofo de se manter na penumbra.



Simultaneous and contraditory emotions

By Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005

The subject of Aristides Meneses painting work has been very coherent since the beginning, even if each painting or image is very distinctive or has a strong individuality. Man, analized here as emotional humanity in large sense, with all their manifestations is, in essence, the central subject for most of his work. It can be Man-transforming-the-world, witnessing events, which eventually he does not understand, or assuming the responsibility for his acts, as in “The blood tree” (1979). It can be Man-with-his-own-fears, as in “Prisoners” (1982), in “Imaginary Prison” (1983) or “The burrow” (2004), with allusions to our need of self protection so others can not see us as we are, for our need to keep our own private territories away from outside knowledge, or to the difficulty to live with freedom, which makes each one responsible for himself. Or it can be simply Man-as-himself, in daily life, as in “Walk by the beach” (1995) or in “Waiting by the window” (1984), both with a strong emotional content which transcends the events they depicts.

But it can also be Man-related-to-divine, a subject that Aristides Meneses often explores. In all his work, the divine is always considered something internal to the human mind. The paintings points ways to face the divine or the search for explanations of the world that go beyond science, rational logic or religion. The painting “Help me father” (2004), which is filled with the most emotions of all his works, influenced by “Christ carrying the cross” by Bosh, has none of its religious content, with human religiosity substituted by human emotions. However it is impossible not to relate it, unwillingly, with the Christian world, which makes the work very disturbing.

With “Gabriel soon after the message” (2004) Aristides Meneses makes a direct reference to the Bible, pointing the observer to the Annunciation, as he does in “Premature end” (2004), clearly a Pieta. Also life and death, with their relation with the divine often appears, as in “Rebirth” (1984), “Death and Transfiguration” (1984) or “Birth of a peculiar being” (1981). Yet, probably more significant is the subject “between life and death”, as in “Blameless child looking at the tomb of the dead world” or “The blood tree” both from 1979, or, in a more subtle way, “The raft” (2003).

Also on the subject of the divine Aristides Meneses is influenced by Hinduism, working very often with meditation, levitation or reincarnation. In “Levitation provoked by deep meditation”, executed in 2003, there is an explicit reference to it with the central personage being the Linga, a symbol of Shiva.

Also Man-as-conqueror, able to confront the external world or simply his own personal frustrations, appears in many of his paintings. One of the most significant, due to the dual emotional environment it reveals, is “War and Peace” (2004). This duality is explored at diverse levels. Dividing the painting more or less in the middle, at the right the observer is confronted with a violent scene, a human like being seems to be preparing an attack, and at the left with a calming scene of a lady standing by the lake. The eyes of each of us decide the equilibrium.

Man-that-is-searching also appears in many works, in a clear allusion to human longings and the need to know, to observe and to escape. At this level, one of his main works is “Looking for the children” (2004), clearly a painting to be felt, or “The vessel” (2003) which shows a few persons searching for something that, as long as it can be seen, it is not there. The painting reveals the known human feeling of being in the wrong world, or, more plainly, of being at the wrong place. From the early work, one of the paintings on this subject is “Philosopher in the dark” (1980) which, in a ironic game of light and darkness, presents the contradiction between the search for explanations about himself and about external world and the choice of the philosopher of keeping his room in some penumbra.



Espelhos Futuros

Entrevista por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005

Porque chama espelhos futuros aos seus quadros?
Embora o meu trabalho venha de dentro, numa transformação interior consciente e subconsciente da minha percepção da realidade, o que os espectadores sentem ao ver os quadros é, pelo menos, tanto reflexo deles como meu. No princípio considerava-os a todos auto-retratos, e penso que de certa forma ainda o são. Mas descobri que são muito mais espelhos para os espectadores, pelos comentários e diálogos que tenho tido com diversos visitantes e conhecedores do meu trabalho.

As pessoas sentem a influência dos quadros?
Quando as pessoas se expõem aos meus quadros o seu estado emocional altera-se. Isso é reflexo do que lá está pintado, o que quer que seja, mas é ainda mais reflexo da sua estrutura emocional e do seu estado nessa altura. O que sentem no instante a seguir à exposição é resultado quer da minha pintura quer das suas emoções. É por isso que, ao longo do tempo, o mesmo espectador vê coisas diferentes de cada vez que olha para o mesmo quadro. Assim, pessoas diferentes reagem aos quadros de forma diversa e cada uma tende a vê-los diferentes em cada olhar. Na realidade, ao mesmo tempo que exponho os meus quadros as pessoas expõem-se a eles.

Quando começou a pintar os espelhos futuros?
Penso que desde o princípio. Na altura não me apercebi dessa influência mas mais recentemente acabei por descobrir que a minha pintura foi muito influenciada pelas teorias científicas do princípio do século passado, especialmente a Teoria da Relatividade de Einstein, o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a Equação de Schrödinger. Provavelmente porque foi pouco depois de tomar contacto com elas, quando estudava engenharia, que comecei o meu percurso actual. A influência não reside no objectivo de explicar a estrutura do universo nem na sua realidade em termos da disciplina da física, mas na adaptação dos seus conceitos, embora por mim não totalmente compreendidos, à estrutura mental das emoções humanas, ou das minhas emoções pelo menos. E, com isso, aos meus quadros, resultado delas. E depois aos outros, que a eles se expõem.

Qual a influência da teoria da relatividade?
Einstein mostrou que existe muito mais que a realidade aparente, geralmente desligado da experiência quotidiana, algo que o Homem sempre sentiu, sempre soube, e que geralmente designa por Divino. O que é fixo não é o que pensávamos, o que é variável também não. E se cada um tem o seu tempo, também tem a sua realidade e as suas emoções. O Homem já sabia, mas com Einstein esse conhecimento, ou sentimento, tem uma realidade mais concreta, demonstrável em termos matemáticos.

E porquê o princípio da incerteza?
A física quântica e, especialmente, o princípio da incerteza de Heisenberg, indiciam, obrigam mesmo, a que deva sempre existir algum grau de liberdade mesmo nos sistemas mais estruturados. E que, da mesma forma, os estados emocionais são regidos por probabilidades, ou seja, por incertezas, flutuantes, voláteis, conflituantes, à espera de se tornarem concretos. Deve ser por isso que quase todos os meus trabalhos demonstram, ao longo do processo da sua criação, uma aparente vontade própria, vontade a que eu nunca resisto. Essa incerteza faz parte integrante do meu trabalho pois a curvatura do espaço tempo criativo faz-me existir em aparente percurso rectilíneo.

Portanto o seu trabalho, figurativo e concreto, tem muito de casual.
Talvez se possa dizer assim. O terceiro pilar dos espelhos futuros é a equação de Schrödinger, ou o facto de ninguém saber onde está o seu gato. Schrödinger dizia que estava em toda a parte, pelo menos até o vermos e determinarmos a sua localização exacta. E assim é impossível sabermos o nosso estado emocional antes de tentarmos determiná-lo. A mente humana vive, na maior parte do tempo, uma totalidade de emoções permanentes, simultâneas e desencontradas. Como o gato de Schrödinger a mente existe em todos os estados emocionais até nos apercebermos da posição dominante numa dada altura. Logo após a exposição aos meus trabalhos, o espectador descobre o que sente.

Assim os seus quadros destinam-se a ser sentidos em vez de compreendidos?
Os meus trabalhos existem para serem sentidos, muito mais que para serem compreendidos. Para facilitar esse efeito é preciso abstrair e controlar a tendência humana de tentar compreender porque, infelizmente, essa tentativa interfere com a capacidade de nos emocionarmos. As pessoas sentem diferentes emoções, em diferentes olhares. Parte do meu trabalho é muito subconsciente. Outra parte tem origem em coisas mais identificáveis. Mas isso não é a explicação do quadro, é apenas uma das suas origens.

Os quadros parecem contar histórias e as pessoas tentam compreendê-los. Não significam nada?
Respondo-lhe como Dali. Todos os meus trabalhos têm significado mesmo que nem eu saiba qual é durante algum tempo.




Future Mirrors

Interview by Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005

Why do you think about your paintings as future mirrors?
Although my works are originated inside, as an internal conscious and subconscious transformation of my perceptions of reality, what the spectator feels looking at them is, at least, as much their reflection as mine. Until some time ago I thought about the paintings as self-portraits, which in a sense, I still do. But I found that they also are like mirrors for the spectators. This became evident by comments and conversations with visitors and people acquainted with my work.


In a sense people feel the influence of your paintings?
When someone exposes itself to my work there is a change in its emotional state. That’s a reflection of what has been painted, whatever it is, but much more, it is a reflection of its state of mind and emotional structure at that time. What people feel soon after being exposed to my work is a result of my painting as much as of their emotions. That is why each one sees different things, and why a spectator sees different things each time he looks. While I am exhibiting my work, people expose themselves to it.

When did you begin to paint your future mirrors?
I think I have been doing it since the beginning. At that time I did not realize it but, more recently, I discovered that has my work has been very influenced by a few scientific theories of the beginning of last century, especially Einstein´s Relativity Theory, Heisenberg´s Uncertainty Principle and Schrödinger´s Equation. That happened probably because I started to paint just a few months after becoming acquainted with them, while studying electronics and telecommunication engineering. The influence does not derive from their physical meaning, or of their goal to explain the universe, but of their adaptation to human emotions and mind structure or at least to my own emotions. Due to that they influence my work, which is their result. And so they affect everybody who come and see the paintings.

What is the influence of the Relativity Theory?
Einstein showed that there is much more beyond the apparent reality. This is something that Man knows from the beginning of time and usually classifies as The Divine. Einstein found that what is fixed is not what we thought and what is variable is also different of what we thought. If each one has its own time, it also has its own reality and emotions. Man already knew that but, since Einstein, this knowledge became more real, even mathematically proved.

And why the Uncertainty Principle?
Quantum Physics, especially Heisenberg´s Uncertainty Principle, implies that there must always be some freedom, even in the most structured systems. In the same way, emotional states are ruled by probabilities, and by uncertainties. That´s why they are volatile, always floating and conflicting. Probably due to that, my work shows during the process of creation, a kind of self will. I never resist to the force from the painting itself. This uncertainty is an integral part of my work because the curvature of the creative space time makes me exist in an apparent straight line.

So, your work, figurative and concrete, has a lot of unexpected?
Maybe that is the way to put it. The third pillar of future mirrors is Schrödinger´s Equation, or the fact that nobody knows where his cat is. Schrödinger would say it is everywhere, at least until we see it and become aware of its position. It is also impossible to know our emotional state until we attempt to determine it. This process changes the emotion we are trying to determine. The human mind exists in a state of global emotions, permanent, simultaneous and conflicting. Like Schrödinger´s cat, the mind exists simultaneously in every emotion until we find out which one is dominant. Soon after being exposed to my work each spectator finds out its emotional state.

So your work is meant to be felt instead to be understood?
Yes, my work with future mirrors is meant to be felt rather than to be understood. To allow this the spectator needs to abstract himself from rational analysis, a human tendency, because it generally prevents feelings. With each glance, people will feel different emotions in the near future. A part of my work is very subconscious. The other part has its origins in more real things. But those do not give the explanation for the painting. They are just one of their origins.

Your paintings seem to tell stories and people try to understand them. Don’t they mean anything?
I will answer you like Dali. All my work has a meaning even if it takes me a while to know what it is.




Aristides Meneses and the inner reflection

Every inner search is represented by a process in which expressive intentionality is mere exercise, mere composer of something undefined and whose aim is focused on the disclosure of feelings and emotions of what is kept hidden in the being as his innate individual characteristics.

In each of us it produces an effect of environment and assimilating, either positive or negative, either optimistic or pessimistic.

The case of Aristides Meneses is a special case because his internal reflection shows a religious sense of life which almost promulgate the need for introspection, a substantial commitment to define the role of man facing the spiritual, facing the divine.

In his work we see a man who wanders through a universe without borders, an expectant man who wanders through a world without meaning, without real harmony, where each of us is part of a degraded leftover continuously looking for the meaning of life. That is why in most cases the human representation is minimalist, faceless or even nonexistent. The colour range clearly accompanies the subjects. Ochre and reddish prioritize it, giving a feeling of uneasiness which extols the meaning intended by the author.

A forceful and elaborate set of symbols or representations are united in some cases to accentuate the theme developed earlier and assuming a link between the different development stages. The delimitation of spaces and lack of natural life are other features of their work. Spaces are usually represented in its grandeur, as if to capture what is overwhelming in contemporary society and the senselessness of their globalization movement. The absence of natural life, more stressed in the removal of vegetation in many cases, increases the idea of questioning the existential, from degradation by man of all that implies a respect for himself and his environment.

A serious body of work with a distinct character is what Meneses presents us, in which the main supporting idea of his work is based on the inconsistency of the actual and the search for meaning in life in an attempt to contact the spiritual.

Francisco Arroyo Ceballos
De la Asociación Española de Críticos de Arte AECA








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